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Paulo de Tarso

SÃO PAULO - 1955

Formado em engenharia mecânica pela Escola Politécnica da USP em 1977, em seguida trabalhou em publicidade (MPM, DPZ) , consultoria de marketing e lecionou na Escola de Propaganda e Marketing.
Freqüentou o atelier de Carlos Fajardo em 81-82 e a escola de escultura de Calabrone e Beccheroni em 83 e, com o apoio do prof. P. M. Bardi, trabalhou em 84 com o escultor Piero Moretti .

EXPOSIÇÕES DE QUE PARTICIPOU:
1983 – I Salão de Arte de São José dos Campos, São Paulo
1983 – X Salão de Arte de Santos, São Paulo
1984 – III Salão de Arte Contemporânea de Araraquara, São Paulo
1985 – X Salão de Arte de Ribeirão Preto, São Paulo
1986 – IV Salão Paulista de Arte Contemporânea de São Paulo
1986 – XIV Salão de Arte Contemporânea de Santo André
1987 – XII Salão de Arte de Ribeirão Preto, São Paulo
1987 – Salão de Artes Plásticas de Brasília, DF
1989 – XV Salão de Arte de Ribeirão Preto, São Paulo
1990 – XVIII Salão de Arte Contemporânea de Santo André,São Paulo
1991 – Centro Cultural do Banco Sudameris,São Paulo
1992 – Salão de Arte Contemporânea de Pernambuco, Recife/PE
1995 – Semana de Arte de Londrina na UEL,Paraná
1997 – IV Salão de Arte Contemporânea da Bahia,Salvador/BA
1999 – V Mostra João Turim de Escultura, Curitiba,Paraná
2000 – Rumos Visuais,Itaú Cultural,Brasilia
2005 – Coletiva 31 artistas de Destaque,Galeria Murilo Castro,Minas Gerais
2006 – Mube- individual, maio 2006
2006 – Galeria Arte Aplicada, individual maio 2006
2006 – Galeria Múltipla de Arte, individual, agosto 2006
2009 – Galeria Arteinfinita, individual , junho 2009
2010 – Coletiva Plural e Singular- Galeria Salaverry, Florianópolis, agosto2010

A ESCULTURA DE PAULO DE TARSO:

“O engenheiro sonha coisas claras” - João Cabral de Melo Neto

O poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, mestre da Geração 45, inicia seu livro “O Engenheiro” com uma poesia - “A Paisagem Zero” - referenciada na obra do artista plástico Vicente do Rego Monteiro. E depois de “A bailarina”, aquela que “dança no pavimento anterior do sonho”, ele nos apresenta seu notável poema “O Engenheiro”, cujos versos nos ocorrem no momento em que iniciamos este texto sobre a escultura atual de Paulo de Tarso, o engenheiro que virou artista.

Com efeito, formado em engenharia mecânica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Paulo de Tarso optou pela escultura, depois de estudar publicidade e marketing e trabalhar em duas importantes agências do setor, a MPM e a DPZ, em São Paulo. Contribuiram fortemente para sua elevação estudos realizados, no começo dos anos 80, com Fajardo, Becheroni e Calabrone , além do contato, na sequência, por indicação de P. M. Bardi, com o escultor Piero Moretti.

Desde então Paulo de Tarso tem se dedicado a este gênero de obra de arte com espírito construtivo e aguda sensibilidade. A diferença de Paulo de Tarso de muitos de seus colegas de formação universitária é exatamente a capacidade de sonhar coisas claras, como “a luz, o sol, o ar livre”, os cheios e os vazios poéticos. E porque é capaz de sonhar o azul do vôo, conserva seu poder de pássaro, como diria outro poeta brasileiro, Ledo Ivo.

Tudo começa com “o lápis, o esquadro, o papel; o desenho, o projeto...”, como sugere João Cabral em seu poema. A escultura nasce de um desenho, que se transforma em uma maquete e que finalmente ocupa, com seu corpo metálico, um lugar no espaço. Nos últimos anos, Paulo de Tarso criou esculturas de mesa de dimensões pequenas, peças de chão em escala humana ou ligeiramente superior e extensos relevos de parede, um deles de largura superior a 7 metros. Elas remetem a formas orgânicas, vegetais, embora monocromáticas – brancas, pretas, vermelhas – ou bicromáticas e realizadas com folhas de aço pintadas que descrevem no espaço uma clara sinfonia de curvas e entrelaçamentos e que definem sua poética. Esta produção, que já dura mais de 15 anos, assegura para Paulo de Tarso um lugar entre os mais significativos cultores do tridimensional no Brasil.

Sem se acomodar, todavia, com o aceito e admirado, Paulo de Tarso iniciou, no ano passado, uma nova etapa de seu trabalho caracterizada pela ausência dos entrelaçamentos e ondulações que tanto identificavam sua obra. Algumas peças aqui expostas guardam relação com seu trabalho anterior mas em muitas delas avulta o caráter retilíneo e volumétrico. Nelas as curvas dialogam com as retas e as peças, não raro, apresentam-se como um bloco. Noutras o artista lança mão dos recursos da dobradura e da solda e até das formas rebatidas. Algumas são pintadas e outras não. O conjunto é convincente.

Paulo de Tarso sonha coisas claras. Parodiando Fernando Pessoa, poderíamos dizer que o que nele sente está pensando.

Enock Sacramento